Benfica respondeu em força ao apelo solidário lançado pela Junta de Freguesia para ajudar as populações da região Centro do País, em particular Leiria, duramente atingida pela tempestade Kristin.
Desde as primeiras horas da manhã, o Palácio Baldaya e a sede da Junta de Freguesia de Benfica transformaram-se em pontos de encontro da solidariedade. Pessoas de todas as idades chegavam com sacos nas mãos e o coração cheio, prontas a deixar um abraço fraterno a quem perdeu quase tudo com a fúria do vento e da chuva.
No Palácio Baldaya, a Sala Joana Baldaya bem poderia ter sido rebaptizada como a “Sala da Solidariedade”. O movimento foi constante ao longo do dia: roupas, alimentos, água e outros bens essenciais foram sendo entregues num verdadeiro corrupio de ajuda e generosidade.
A recolha de bens, inicialmente prevista apenas para hoje e amanhã, domingo, foi entretanto prolongada. Segundo apurou a Rádio Amparo junto do diretor de Comunicação da Junta de Freguesia de Benfica, Gonçalo Lopes, o presidente Ricardo Marques deu “luz verde” para que a iniciativa continue pelo menos até ao final de segunda-feira, dia 2 de Fevereiro.
Ao final do dia, carrinhas carregadas de mantimentos seguiram já rumo a Leiria, levando consigo não apenas bens materiais, mas também a mensagem clara de que Benfica não fica indiferente perante a dor dos outros.
Entre os muitos rostos anónimos, houve quem, depois de entregar a sua contribuição, arregaçasse as mangas e ficasse a ajudar na organização das ofertas, lado a lado com os funcionários da Junta de Freguesia. Um gesto simples, mas profundamente simbólico.
Houve lágrimas — não apenas de tristeza, mas também de emoção. Gente feliz, com lágrimas nos olhos, ao testemunhar tanta união e entreajuda.
Uma dessas voluntárias foi Patrícia Gomes, 25 anos, jovem natural de Leiria, mas residente e trabalhadora em Lisboa. Não hesitou em responder ao apelo da Junta de Freguesia e esteve todo o dia a ajudar. Preocupada com a família que vive em Leiria — pais e avó, cuja casa sofreu danos com a tempestade, incluindo a queda da chaminé e parte do telhado — Patrícia confessou à reportagem da Rádio Amparo estar ainda em choque com a devastação na sua terra. “Tenho falado com os meus pais e estão bem”, disse, aliviada por saber que, apesar dos estragos materiais, a família está em segurança.
Também Aida Fernandes, professora, se deslocou ao Palácio Baldaya com um saco de contributos e acabou por ficar, dando uma mão em tudo o que era necessário — um exemplo claro de civismo e solidariedade.
Foi uma ação comovente. Ver tanta gente a dar um pouco de si para ajudar quem mais precisa é a prova de que a solidariedade continua bem viva. Benfica fez jus ao nome: um Bairro Solidário, onde ninguém vira costas ao sofrimento alheio.
Tudo isto e muito mais para ouvir amanhã, numa reportagem especial de informação, aqui, na Rádio Amparo.