*Com Inês Costa Nunes
Na Audiência Geral realizada a 30 de setembro, já em Roma, o Papa Leão XIV partilhou as primeiras impressões acerca da recente viagem apostólica a França, que decorreu entre 25 e 28 de setembro, com o tema “Para que o mundo tenha a vida” (Jo 6, 51). A visita foi dividida em três etapas principais – Paris, Lourdes e Metz –, nas quais Leão XIV destacou o renascimento da fé, a colaboração entre a Igreja e a sociedade, a dignidade humana e a esperança para a Igreja e a Europa.
O Papa iniciou a viagem em Paris, onde foi recebido pelo presidente Emmanuel Macron. No discurso dirigido às autoridades e ao corpo diplomático, Leão XIV destacou o património cultural e religioso da França, apelidando o país como “farol cultural e artístico”, e a diversidade de origens do povo francês como enriquecedor da vida democrática. Na UNESCO, o Pontífice reforçou a importância da educação, da cultura e da ciência como pilares da paz e da dignidade humana, abordando também os desafios da inteligência artificial.
Na Catedral de Notre Dame, o Papa evocou o seu restauro como símbolo de esperança: durante a visita, Leão XIV lembrou que a colaboração entre Igreja, Estado, instituições públicas e sociedade civil, em prol do bem comum, é uma sinergia que deve servir de modelo para instituições e autoridades se concentrarem na dignidade da pessoa humana – “Notre Dame é imagem da Igreja de pedras vivas, do povo santo de Deus”, afirmou o Papa.
Em Roma, Leão XIV sublinhou que um dos momentos mais marcantes desta sua viagem foi a missa na Place de la Concorde, onde a comunhão foi distribuída a uma multidão que se estendia pela Avenue des Champs-Élysées. O Papa destacou o aumento significativo de jovens e adultos que pedem o Batismo, chamando a isso uma “bela surpresa de Deus”. E lembrou que a verdadeira reconstrução da Igreja é espiritual e acontece pela ação de Deus, especialmente por intercessão da Virgem Maria.
Durante o fim de semana, Leão XIV deslocou-se ao Santuário de Lourdes, onde convocou todas as comunidades católicas a rezarem o Rosário durante o mês de outubro, pedindo a Deus o fim da escalada mundial de conflitos armados, venerou a Mãe da Igreja e destacou o papel do santuário como fonte de esperança para os que sofrem no corpo e no espírito. “Por isso, Lourdes apresenta-se ao mundo inteiro como um santuário da civilização do amor”, lembrou. Em Lourdes, o Papa encontrou-se também com sete vítimas de abusos cometidos por membros da Igreja em França, ouviu cada sobrevivente individualmente, reconheceu o seu sofrimento e o silêncio institucional, rezando com algumas das vítimas. Deixou um pedido aos bispos franceses – “vigilância máxima”.
A visita terminou em Metz, terra natal de Robert Schuman, um dos fundadores do projeto europeu, onde Leão XIV deixou um forte alerta contra a “ilusão do rearmamento”, afirmando que as relações entre Estados “se tornam cada vez mais bárbaras” quando a resposta à insegurança é apenas militar. Falou ainda do drama migratório e apelou a uma redescoberta criativa das raízes europeias. Já em Roma, Leão XIV lembrou que o sonho de uma Europa unida, "nasceu precisamente como um projeto de paz, na sequência da devastação da guerra", fundada em valores cristãos, entre eles, a abertura ao diálogo.
A viagem encerrou com a celebração da Missa na Catedral de Santo Estêvão, antes do regresso a Roma. Segundo o Vaticano, esta deslocação pretendeu reforçar a confiança nas instituições, promover a paz e dialogar com uma França marcada pela diversidade cultural e pelos desafios da laicidade. A receção popular foi intensa, com multidões a acolherem o Papa ao longo dos quatro dias, o que mereceu um agradecimento por parte do Pontífice.
Leão XIV esteve em França entre 25 e 28 de setembro, numa visita que uniu cultura, missão e política europeia.