O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, defendeu que a liberdade é uma condição essencial para uma fé autêntica e para a dignidade da pessoa humana. A intervenção decorreu, ontem, na Assembleia da República, no âmbito das celebrações do Dia Nacional da Liberdade Religiosa e do Diálogo Inter-Religioso.
O encontro reuniu responsáveis religiosos, representantes políticos e jovens de várias escolas internacionais, num momento de diálogo e reflexão sobre um dos pilares fundamentais da democracia: a liberdade religiosa.
Na sua mensagem, o Patriarca sublinhou que ninguém pode ser obrigado a acreditar, mas também ninguém deve ser impedido de procurar a verdade segundo a sua consciência. “A liberdade religiosa protege o espaço mais íntimo da pessoa”, afirmou, referindo-se ao lugar onde se formam as convicções fundamentais sobre o sentido da vida, a justiça e a transcendência.
D. Rui Valério destacou ainda que fé e liberdade são inseparáveis, lembrando que a religião é sempre uma opção livre, que nasce de uma escolha pessoal. Num contexto marcado por novas formas de intolerância, alertou para o risco de relegar a religião apenas para o espaço privado, defendendo que a expressão pública da fé é sinal de maturidade democrática.
Na parte final da sua intervenção, o Patriarca apresentou o ser humano como um “ser para o infinito”, afirmando que limitar a dimensão religiosa é cortar uma faceta essencial da pessoa. A liberdade religiosa, concluiu, permite viver com esperança e acreditar num futuro melhor.
A sessão reforçou a importância do diálogo inter-religioso, do respeito mútuo e da construção de uma sociedade mais inclusiva e plural.