O Papa Leão XIV está de regresso a Roma, onde chegará ao início da noite de hoje, depois de uma viagem apostólica de 11 dias a África.
Um périplo que ficou marcado, nos primeiros dias, pelas reações mediáticas às polémicas declarações do presidente norte-americano Donald Trump, comentários que o Papa desvalorizou, ao afirmar, quando viajava dos Camarões para Angola, que “estou em África para encorajar os católicos, não para debater com Trump”.
Esta foi, de resto, uma viagem com forte significado simbólico e pessoal. Reflete o passado missionário de Leão XIV, que esteve durante longos anos no Peru, e concretiza um desejo assumido logo após a sua eleição, em Maio de 2025, quando afirmou que África “deveria ser a primeira viagem do pontificado”.
Ao longo destes 11 dias, o Santo Padre visitou quatro países — Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial — passando por onze cidades. Proferiu cerca de 25 discursos, entre saudações e homílias, encontrou-se com autoridades políticas, comunidades civis e religiosas, e visitou santuários, universidades, prisões e obras de caridade.
Em toda a viagem, Leão XIV deixou um apelo constante à paz, à fraternidade e à responsabilidade política e social, sublinhando o papel da Igreja como presença próxima dos povos e promotora da reconciliação.
Na Argélia, destacou a importância do diálogo inter-religioso e da convivência pacífica, apelando ao respeito mútuo e ao papel dos cristãos como pontes de encontro numa sociedade maioritariamente muçulmana.
Nos Camarões, deixou uma mensagem firme contra a violência e a corrupção, sublinhando a urgência de proteger os jovens e de investir seriamente na educação como caminho para a paz e para o futuro do país.
Em Angola, o Papa alertou para as profundas desigualdades sociais e económicas, defendendo que o crescimento só é verdadeiro quando chega a todos, sobretudo aos mais pobres, e apelou a uma gestão ética e responsável dos recursos naturais.
Já na Guiné Equatorial, país marcado por denúncias persistentes de violações dos direitos humanos, Leão XIV insistiu na justiça social e na dignidade humana, pedindo que a riqueza do país se traduza em melhores condições de vida para a população e não apenas em benefícios para uma minoria, deixando uma mensagem clara de esperança e responsabilidade para as novas gerações.
Do ponto de vista da Igreja, esta viagem reafirma a centralidade de África no presente e no futuro do catolicismo, valorizando comunidades jovens e dinâmicas e uma Igreja chamada a ser voz ativa de reconciliação e esperança.
No plano político, a presença do Papa Leão XIV voltou a colocar no centro da atenção internacional países e realidades muitas vezes esquecidas.