A Diocese de Lisboa vai assinalar, no próximo dia 9 de maio, o centenário do nascimento do Padre Manuel Luís, uma das figuras mais marcantes da música litúrgica em Portugal depois do Concílio Vaticano II. O simpósio decorre na Paróquia de Cristo-Rei da Portela e na Sé Patriarcal de Lisboa, reunindo músicos, coros, cantores, responsáveis litúrgicos e todos os interessados em aprofundar o lugar do canto na celebração cristã.
Em entrevista à Rádio Amparo, o Padre Rui Silva, diretor do Serviço Diocesano de Música Litúrgica, sublinhou que a iniciativa nasce de uma dívida de gratidão da Igreja em Lisboa e em Portugal para com o Padre Manuel Luís. “Somos de alguma forma devedores ao Padre Manuel Luís. Ouvimos as suas composições um pouco por todo o lado, há cânticos que toda a gente conhece, mesmo sem conhecer o autor”, afirmou o sacerdote.
O Padre Manuel Luís, natural da zona de Turquel, no concelho de Alcobaça, foi sacerdote do Patriarcado de Lisboa. Estudou nos seminários de Santarém, Almada e Olivais, seguindo depois para Roma, onde frequentou durante sete anos estudos de música sacra. Regressado a Portugal, assumiu funções de formação no Seminário dos Olivais, teve ligação à Sé Patriarcal de Lisboa e marcou profundamente a pastoral litúrgica nacional, através de encontros, artigos e composições.
O simpósio terá uma dimensão de homenagem, mas também de formação e participação. Durante a manhã, o cardeal D. Manuel Clemente, Patriarca Emérito de Lisboa, falará sobre “O legado do Padre Manuel Luís”. Seguir-se-á uma reflexão sobre “A arte de compor para a liturgia”, com o Padre António Cartageno, da Diocese de Beja, e o Padre Teodoro Sousa, do Patriarcado de Lisboa.
Um dos momentos especiais será a apresentação de um coro criado para esta ocasião, que assumiu o nome de Coro Padre Manuel Luís. O grupo interpretará composições tradicionais e populares, algumas da autoria do sacerdote homenageado e outras por ele harmonizadas.
Durante a tarde, os participantes serão convidados a ensaiar cânticos litúrgicos, com a colaboração da Escola Diocesana de Música Sacra, preparando o momento final na Sé Patriarcal, intitulado “Cantar a Fé”. Este encontro, de caráter não litúrgico, incluirá cânticos do Padre Manuel Luís e leituras bíblicas, culminando com a oração de Vésperas, presidida por D. João Marcos, bispo emérito de Beja.
Na entrevista, o Padre Rui Silva destacou ainda que a música litúrgica “é serva da liturgia e não o contrário”, devendo ajudar a assembleia a participar e a elevar o coração para Deus. “O fim da música litúrgica é a glorificação de Deus e a santificação dos fiéis”, recordou.
O responsável diocesano reconheceu também alguns desafios vividos atualmente pelos coros paroquiais, como a falta de elementos, a dificuldade em encontrar tempo para ensaios, a escassez de organistas em algumas comunidades e a necessidade de formação musical e litúrgica.
As inscrições para o simpósio são gratuitas e servem sobretudo para organização logística. Apesar de o prazo formal de inscrição já ter terminado, o Padre Rui Silva deixou claro que todos continuam convidados a participar. “Se alguém não conseguiu inscrever-se, pode e deve na mesma dirigir-se ao encontro. Desde que venham, são muito bem-vindos”, afirmou.
O Simpósio Padre Manuel Luís realiza-se no dia 9 de maio, com início na Paróquia de Cristo-Rei da Portela e conclusão na Sé Patriarcal de Lisboa.
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