O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, D. José Traquina, defendeu a necessidade de abrir um debate nacional sobre a regionalização, considerando que o impacto das recentes tempestades veio evidenciar limitações estruturais do atual modelo de organização do país.
Em entrevista conjunta à Rádio Renascença e à Agência Ecclesia, emitida e publicada ontem, domingo, D. José Traquina afirmou ser favorável à criação de estruturas de governação intermédia, capazes de responder de forma mais eficaz aos problemas das regiões.
“Para resolver grandes problemas, para resolver estruturalmente as regiões, é preciso uma governação intermédia”, sublinhou, dando como exemplo a resposta local às consequências do mau tempo, em particular na região Centro do país.
O também bispo de Santarém destacou o papel das autarquias, considerando que as câmaras municipais têm demonstrado capacidade de intervenção, mas alertou para a necessidade de um nível adicional de coordenação que permita respostas de proximidade mais eficazes e articuladas.
Questionado sobre a possibilidade de um novo referendo sobre a regionalização, o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana mostrou-se aberto a essa via. “Porventura. Se isso é preciso para tomar uma decisão, que se faça, sim senhor”, afirmou, defendendo a importância da consulta pública num tema estruturante para o futuro do país.