A segunda edição do Festival Entre Portas chegou ontem, domingo, ao fim, com o concerto dos “senadores” GNR a encerrar três dias de programação na zona das Portas de Benfica, num espaço que voltou a juntar as comunidades de Benfica e da Venda Nova-Falagueira.
Promovido pelas duas Juntas de Freguesia, com o apoio do Município da Amadora, o festival procurou repetir e consolidar a experiência da primeira edição, levando música e animação para uma zona de fronteira entre Lisboa e Amadora. Ao longo dos três dias, passaram pelo palco vários artistas, como os Vizinhos, Lon3r Johnny e os já referidos GNR, entre nomes já reconhecidos e propostas mais jovens, numa programação pensada para públicos de diferentes idades.
Uma parceria que aproxima comunidades
O balanço da segunda edição é claramente positivo para os dois presidentes de junta. Em declarações exclusivas à Rádio Amparo, Rafaela Heitor, presidente da Junta de Freguesia da Venda Nova-Falagueira, considera que o festival confirmou a força da parceria entre as duas autarquias. “Esta segunda edição veio reforçar o que nós já tínhamos percebido o ano passado, que foi uma parceria com muitos frutos, muito bem conseguida”, afirmou.
Ricardo Marques, presidente da Junta de Freguesia de Benfica, destaca igualmente a consolidação do projeto e, sobretudo, a aproximação entre as populações dos dois lados da fronteira administrativa. “As pessoas já acham mais natural nesta segunda edição esta afirmação deste trabalho colaborativo entre duas freguesias e, acima de tudo, entre duas comunidades que são praticamente gémeas”, sublinhou.
Essa ligação entre Benfica e Venda Nova-Falagueira é, aliás, uma das principais marcas que os responsáveis querem preservar. Para Rafaela Heitor, o festival ajudou a criar um sentimento de pertença junto da população e a transformar a relação com o espaço onde decorrem os concertos. “Temos aqui este espaço que não tinha nada, que era uma fronteira, mas que deixou de o ser”, afirmou.
Um festival para toda a comunidade
A adesão da população foi também uma das razões apontadas pelos dois presidentes para a continuidade do projeto. A responsável da Venda Nova-Falagueira diz que o segundo ano trouxe uma participação ainda maior e um retorno muito positivo das comunidades, enquanto Ricardo Marques defende que o festival deve continuar a ter como principal característica a proximidade.
“O festival só tem sentido se conseguimos ter a capacidade de ser ecléticos nas escolhas para podermos trazer toda a comunidade à rua”, explicou o presidente da Junta de Freguesia de Benfica, defendendo uma programação capaz de cruzar diferentes gerações.
O futuro passa, por isso, por fazer crescer o Entre Portas sem perder a sua identidade. Rafaela Heitor admite a ambição de transformar o festival num símbolo mais amplo, mas sem deixar de lado a sua dimensão local. “Eu acho que os dois podem coincidir”, afirmou, referindo-se à possibilidade de o festival ganhar dimensão e continuar, simultaneamente, a ser um evento de proximidade.
Também Ricardo Marques admite que o cartaz poderá tornar-se mais ambicioso e atrair novos públicos, mas considera fundamental manter o foco nos moradores. “Eu gosto muito dele assim, neste registo mais para os nossos moradores, que eles se juntem, que eles tenham orgulho de ter uma iniciativa dessas no seu território”, afirmou.
Do palco à rua, todos fazem parte
A organização pretende ainda reforçar uma das componentes que Ricardo Marques considera diferenciadora: a possibilidade de jovens artistas terem acesso a um grande palco e a uma estrutura profissional, ao lado de nomes já consagrados.
Depois de uma primeira edição condicionada pelo luto provocado pela tragédia do Elevador da Glória, a segunda edição permitiu afirmar definitivamente o conceito do Entre Portas e demonstrar a capacidade de mobilização das duas freguesias. O objetivo, dizem os responsáveis, é continuar a aproximar pessoas, dinamizar aquele território e valorizar a ligação entre Lisboa e Amadora.
No final, Ricardo Marques resume a ambição do projeto numa ideia simples: “Um dos nossos grandes objetivos é com este evento também valorizar os dois territórios. As pessoas sentirem orgulho, brilho.” E, segundo o presidente da Junta de Benfica, esse sentimento já se faz sentir: “Isso temos sentido, as pessoas estão muito contentes.”
Rafaela Heitor deixou ainda uma palavra de agradecimento às associações das duas freguesias, pela participação e pela oportunidade de mostrarem o seu trabalho, bem como às equipas das juntas e às forças e serviços que garantiram a segurança do evento, entre PSP, Polícia Municipal, Proteção Civil, bombeiros e equipas médicas. Para a autarca, são todos parte essencial de um festival que se quer próximo das famílias e da comunidade.