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Patriarca de Lisboa: É urgente humanizar a tecnologia
No encerramento do Seminário de Formação Permanente do Clero, D. Rui refletiu sobre a relação entre a Inteligência Artificial e a Doutrina Social da Igreja, alertando para os perigos de a tecnologia transformar as pessoas em reflexos da lógica algorítmica
Por Inês Jorge Caetano
Publicado em 30/01/2026 13:32
Diocese
Foto - Patriarcado de Lisboa

Realizado de 27 a 29 de janeiro, no Seminário dos Olivais, o encontro de Formação Permanente do Clero reuniu bispos, sacerdotes e diáconos do Patriarcado de Lisboa para uma reunião dedicada à reflexão e aprofundamento teológico, pastoral e prático em torno da Doutrina Social da Igreja. Na síntese final, D. Rui Valério destacou o caráter positivo do seminário para a compreensão da realidade contemporânea, e lançou um alerta sobre a necessidade urgente de humanizar a tecnologia para que esta não transforme as pessoas em meros reflexos da lógica algorítmica.

O Patriarca chamou a atenção para o perigo da mentalidade puramente técnica associada à Inteligência Artificial (IA), que privilegia a maximização de resultados com o mínimo de meios, uma lógica de eficácia imediata que pode reduzir o ser humano a um mero prolongamento da máquina. “A verdadeira questão não é que a técnica venha substituir o humano, mas até que ponto o humano não está a ser o reflexo da mentalidade da IA”, pode ler-se no site do Patriarcado.

“Aquilo que é preciso era nós invertermos um bocadinho esta rota, humanizarmos a máquina e não sermos nós tomados por ela”, comentou D. Rui Valério, apelando à valorização da fragilidade humana, e também ao esforço de preservação da centralidade do ser humano. D. Rui alertou ainda para que, no âmbito pastoral, os agentes da Igreja não se deixem cair na armadilha da lógica da eficiência e produtividade, buscando respostas rápidas e imediatas, o que poderia comprometer a autenticidade do anúncio e da missão.

“Sejamos humanos e façamos uma grande homenagem àquilo que é o ser humano”, exortou o Patriarca. “Nunca nos esqueçamos de que o humano foi a estrada que o próprio Filho de Deus escolheu e percorreu para vir até nós”, e que “foi na condição de homem que Ele nos salvou”, concluiu.

Durante a missa de encerramento, por si presidida, D. Rui destacou que o anúncio cristão deve ser marcado pela proximidade e familiaridade com Deus, pedindo a intercessão de São Vicente e da Virgem Maria para que cresça no clero e na Igreja de Lisboa o zelo pela missão e pelo anúncio do Evangelho, lembrando que cada sacerdote é uma “lâmpada colocada no candelabro do serviço, da entrega e da doação”.

 

Diálogo entre fé, ética e tecnologia

O programa do Seminário de Formação Permanente do Clero incluiu, no dia 27, uma conferência do Padre Paolo Benanti, um especialista italiano que abordou os desafios da Inteligência Artificial à luz da Doutrina Social da Igreja. O Embaixador Luís Barreira de Sousa promoveu um diálogo entre ética, fé e realidade contemporânea. O Cónego Nuno Amador e o filósofo Hugo Chelo aprofundaram os fundamentos teológicos e antropológicos da Doutrina Social da Igreja.

No dia 28, os participantes trabalharam temas das diversas áreas da Doutrina Social da Igreja, como família, trabalho, economia, migração, paz, meio ambiente e política, contando com a colaboração de diversos especialistas. André Azevedo Alves refletiu sobre São Tomás de Aquino e o pensamento social católico.

O último dia, 29, foi dedicado à reflexão sobre o papel do clero na vivência e promoção da Doutrina Social da Igreja, abordando a vida sacramental, o envolvimento da comunidade e a evangelização. E foram apresentados testemunhos sobre a ação dos católicos na sociedade, nomeadamente no âmbito das obras sociais, das associações profissionais e do mundo empresarial.

 

 

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