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D. Rui Valério: “Carta Ecuménica” é base sólida “para a construção de uma paz duradoura”
Para o Patriarca, o documento é um contributo indispensável para que a Europa reencontre a sua alma e as suas origens cristãs, pois recoloca ao centro a pessoa humana e a vocação à comunhão
Por Inês Jorge Caetano
Publicado em 21/01/2026 12:18 • Atualizado 21/01/2026 13:42
Igreja em Portugal
Imagem - Patriarcado de Lisboa

A sessão de divulgação desta “Carta Ecuménica” aconteceu no dia 20 de janeiro na Universidade Católica Portuguesa, e juntou a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e o Conselho Português das Igrejas Cristãs (COPIC). Na apresentação, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, qualificou o documento como “um dos fundamentos mais sólidos para a construção de uma paz duradoura” e uma “voz cristã unida no espaço público europeu”.

“A fé cristã não pode permanecer à margem da história. Pelo contrário, ela é chamada a ser fermento de justiça, de fraternidade e de esperança. Assim, a Carta Ecumenica não é apenas um texto assinado: é uma responsabilidade assumida diante da Europa de hoje”, sublinhou o Patriarca, defendendo que, num contexto marcado pela lógica do confronto e exclusão, as Igrejas oferecem uma “gramática” alternativa para a vida social e cultural, baseada na escuta, diálogo, responsabilidade partilhada e cuidado mútuo.

Para D. Rui Valério, a “Carta Ecuménica” é vista não só como um documento de diálogo intereclesial, mas como um compromisso público das Igrejas com a humanidade contemporânea e os seus desafios, como guerras e crises sociais, migratórias, ecológicas e tecnológicas. “Num mundo ferido pelo confronto, as religiões são chamadas a abrir caminhos de fraternidade”, declarou D. Rui, que refletiu que esta “Carta” propõe uma voz cristã unida que não busca impor-se, mas sim propor, nascida do serviço e não do poder, que reconhece as feridas do passado e trabalha pela reconciliação e confiança no futuro.

Para reencontrar a alma da Europa, é essencial reconhecer as suas origens cristãs, e os valores culturais e humanistas da fé e da ética judaico-cristã – e é “neste horizonte que a Conferência Episcopal Portuguesa renova a sua disponibilidade para caminhar com as outras Igrejas cristãs, convicta de que, juntos, podemos servir melhor o bem comum e testemunhar com maior clareza o Evangelho da paz”, concluiu o Patriarca.

Na sessão de apresentação, o bispo da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana), D. Jorge Pina Cabral, em nome do COPIC, valorizou a apresentação desta Carta no contexto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, destacando que o documento reflete uma peregrinação conjunta das Igrejas que aponta para novas áreas de missão cruciais para a Europa, onde as Igrejas são chamadas a “ser sinal de unidade e esperança”.

De acordo com a Agência Ecclesia, D. Jorge Pina Cabral salientou que as Igrejas são chamadas a intervir publicamente em temas como a construção da paz e reconciliação. No contexto português, destacou a importância da defesa da dignidade humana, proteção dos migrantes, promoção da liberdade de expressão, combate à polarização, valorização dos jovens, proteção das mulheres, diálogo inter-religioso e aprofundamento das relações com as comunidades judaica e muçulmana.

O bispo da Igreja Lusitana frisou que a Carta deve ser recebida e aplicada em vários níveis — nacional, regional e local — não só pelas Igrejas, mas também pela sociedade civil. D. Jorge Pina Cabral informou que o documento será enviado a agentes políticos, organizações não-governamentais e outras religiões em Portugal, visando reforçar o compromisso das Igrejas com o bem comum e a paz social, numa “peregrinação conjunta” entre as igrejas cristãs “num momento crucial para a Europa”, concluiu.

 

Esta "Carta Ecuménica" é uma atualização do movimento ecuménico europeu que tem origem nas Assembleias Ecuménicas de Basileia (1989) e Graz (1997), que resultaram da determinação das Igrejas cristãs em promover o diálogo e a colaboração entre si. Esta versão revista e atualizada foi assinada em Roma, a 5 de novembro de 2025, pela Conferência das Igrejas Europeias (CEC) e o Conselho das Conferências Episcopais da Europa.

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