O presidente do Clube Futebol Benfica afirmou que a requalificação das infraestruturas do clube poderá arrancar entre setembro e outubro deste ano, embora reconheça que o processo tem sido marcado por atrasos, reformulações e prudência nas expectativas.

As declarações de Vasco Fernandes foram feitas na segunda-feira, 23 de março, no programa de comentário desportivo “Triveladas”, da Rádio Amparo, no dia em que o Fófó assinalava o seu 93.º aniversário.

Durante a entrevista, o dirigente explicou que o projeto inicialmente previsto teve de ser redimensionado por motivos financeiros. “Aquilo que foi projetado anteriormente era algo megalómano”, afirmou, acrescentando que essa proposta “não foi aceite pelas administrações do Lidl”, o que obrigou a uma reformulação. Ainda assim, sublinhou que o novo enquadramento poderá permitir finalmente o avanço da obra: “Às vezes o menos é mais.”

Segundo Vasco Fernandes, a nova solução deixará, para já, de fora alguns elementos inicialmente previstos, nomeadamente a bancada com infraestruturas por baixo e um pavilhão com maior capacidade. “No pavilhão também já não vai ser com 800 lugares como estava previsto”, disse, adiantando que a reformulação aponta agora para cerca de 400 lugares. Ainda assim, deixa em aberto a possibilidade de expansão futura: “Aquilo pode ter mesmo os 800 mais tarde.”

Apesar de considerar que há sinais encorajadores, o presidente do clube prefere manter alguma reserva. “É uma boa notícia”, reconheceu, mas advertiu: “Só quando ela estiver confirmada, aí sim, aí é que vai ser uma boa notícia.” O responsável lembrou ainda a longa duração deste processo: “Já andamos nisto há uns 10 anos.”

Quanto ao calendário, Vasco Fernandes indicou que, caso a reformulação seja aceite, o início dos trabalhos poderá acontecer “em meados de setembro, outubro”, ainda este ano. Mesmo assim, não esconde algum ceticismo depois de sucessivos adiamentos.

O presidente do Fófó referiu também que a modernização das infraestruturas é vista como uma condição essencial para o crescimento do clube. “Nós, para ganharmos alguma coisa, também temos de ter outras condições”, afirmou, salientando que é difícil captar “atletas e treinadores com outro calibre quando as condições ainda não são as melhores”.

Na mesma entrevista, Vasco Fernandes assumiu que o clube precisa de reforçar a ligação à comunidade local. “A culpa é sempre nossa, porque nós é que temos que ir ao encontro deles. E não o temos feito devidamente”, disse. O dirigente considera que o Fófó não tem aproveitado suficientemente a sua localização numa zona muito movimentada da freguesia de Benfica, junto ao mercado e ao jardim, onde circulam diariamente centenas de pessoas.

Apesar disso, destacou a recuperação do número de sócios pagantes como um sinal positivo. Segundo revelou, o clube terá atualmente cerca de 800 sócios pagantes, quando anteriormente esse número rondaria apenas os 50 ou 100. Para Vasco Fernandes, este é um indicador de que o trabalho desenvolvido pela direção começa a produzir resultados.

A requalificação das instalações e a aproximação à comunidade surgem, assim, como dois dos eixos centrais para o futuro do histórico clube de Benfica, num momento em que a direção espera finalmente ver avançar um processo há muito aguardado.

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