«Mais importante do que nos perguntarmos como conseguir que as pessoas regressem à Igreja, creio que é necessário perguntar como podemos nós regressar às pessoas», afirmou D. Rui Valério, durante a homilia da celebração na Catedral de Lisboa.
O Patriarca considerou que, antes de lamentar o afastamento de muitas pessoas da Igreja, as comunidades cristãs devem questionar a sua disponibilidade para escutar «as suas inquietações, as suas feridas, os seus gritos e clamores» e as perguntas que colocam.
Num tempo que descreveu como «saturado de informação, mas frequentemente empobrecido de verdadeira comunicação», D. Rui Valério apontou a escuta como uma das primeiras exigências da missão cristã.
«A evangelização não consiste numa transmissão de conhecimentos religiosos. É o anúncio de uma pessoa que deseja encontrar outra pessoa», sublinhou.
A missão da Igreja para além das suas paredes
Na celebração da Dedicação da Sé Patriarcal, o Patriarca recordou que os edifícios religiosos são lugares de encontro com Deus, mas insistiu que a missão da Igreja não se esgota nas celebrações ou nas atividades realizadas no interior dos templos.
«Não fomos batizados apenas para encontrar Deus, mas também para que outros O possam encontrar», afirmou, destacando a responsabilidade de todos os cristãos na transmissão da fé.
D. Rui Valério alertou que uma comunidade pode ter celebrações cuidadas, estruturas organizadas e numerosas atividades pastorais e, ainda assim, perder algo de essencial se deixar de prestar atenção às pessoas que estão fora.
A missão da Igreja, acrescentou, deve ser avaliada também pela sua capacidade de «gerar encontros, abrir caminhos e tornar o Evangelho significativo na existência concreta das pessoas».
O Patriarca lembrou que esta responsabilidade não pertence apenas aos sacerdotes, catequistas ou agentes pastorais, mas a todos os batizados, chamados a dar testemunho da fé na família, no trabalho, na escola e na vida pública.
«Vinde e vede» no caminho pastoral da Diocese
A homilia fez também referência ao lema do ano pastoral 2026-2027, «Vinde e vede», que orienta a caminhada do Patriarcado de Lisboa.
A partir do exemplo de João Batista, que aponta Jesus aos seus discípulos, D. Rui Valério afirmou que a missão da Igreja não é promover as suas instituições ou assegurar apenas a continuidade das tradições, mas ajudar as pessoas a reconhecer a presença de Cristo.
O Patriarca evocou ainda o encontro de Jesus com a samaritana, apresentado no Evangelho da celebração, como exemplo de uma atitude de proximidade que parte da realidade concreta de cada pessoa.
Uma Igreja presente em toda a cidade
Na parte final da homilia, D. Rui Valério sublinhou que a Sé Patriarcal continuará a ser um sinal da presença de Deus no coração de Lisboa, mas que a missão da Diocese deve estender-se a todos os lugares onde vivem as pessoas.
«A Igreja não existe apenas para acolher aqueles que procuram Deus. Existe também para que Deus, através dela, continue ao encontro daqueles que ainda não O procuram», afirmou.
O Patriarca concluiu com um apelo a que os cristãos sejam sinais vivos da presença de Cristo, manifestando o desejo de uma Igreja que se deixe enviar ao encontro da cidade, «para que Lisboa inteira possa descobrir que Deus habita no meio do seu povo».
